2 de julho de 2008

Ao nada.

 photo LeszekKowalski.jpg

Leszek Kowalski

Escreverei aqui em direção ao ar e sem resposta a nada pois sou livre. Eu - que existo. Existe uma volúpia em ser gente. Não sou mais silêncio. Sinto-me tão impotente ao viver -vida que resume todos os contrários díspares e desafinados numa única e feroz atitude: a raiva. Cheguei infinitamente ao nada. E na minha satisfação de ter alcançado em mim o mínimo de existência, apenas a necessária respiração - então estou livre. Só me resta inventar. Mas aviso-me logo: eu sou incômodo. Incômodo para mim mesmo. Sinto-me desconfortável nesse corpo que é bagagem minha.

Clarice Lispector

3 comentários:

Bento Abreu disse...

Rir é um óptimo remédio, mesmo quando só nos apetece chorar.

Beijo

ludymylla disse...

"Eu sou nostálgica demais, pareço ter perdido uma coisa
que não se sabe onde e quando." Caramba, como eu entendi a clarice. =~

Uma Lora qualquer disse...

Queria mto escrever algo no post saudade, mas tá sem caixinha de coment's...
Linne, nem Clarice, nem Pessoa, nem Chico... nenhum deles conseguiriam transcrever os teus sentimentos, só tu. E vc o faz com divina perfeição, meus olhos enxem de lagrimas, pois cá no meu intimo, mesmo jurando q nada sinto, sei exatamente como é, tanto a dor da saudade como a dor dum amor não correspondido!

'ter fé e ver coragem no amor'

te amo prima!