8 de março de 2008

Da fuga (im)possível

Ainda não se inventou uma vacina contra os males da alma produzidos pelo amor.


Carlos Drummond de Andrade


As palavras, de fato, não condizem com o que sinto. Elas me transportam sem defesas para um lugar-comum de expectativas que se consomem no decorrer dos segundos. E o que fica dito entre nós, não é suficiente para acalmar o coração. Para guiá-lo em uma direção oposta aos velhos erros de sempre e levá-lo a um lugar seguro (se é que existe). Não, não existe. A lembrança da tua voz provoca em mim um verdadeiro estrondo. Tua voz se repete tanto em minha cabeça que é impossivel não te sentir ao pé do ouvido. Os amores idealizados, já não os busco. Preciso de terra para colocar os pés firmes no chão e esquecer definitivamente a idéia de um grande encontro. Porque a liberdade foi feita para ti. A vida foi feita para mim. E nós não fomos feitos um para o outro. Há o pânico de ti. As tuas palavras me assustam. Não há fuga. Estou presa. Desesperada, pois enquanto me aprisiono em ti, tu ficas livre para buscar o que quiseres aonde quiseres. É bem piegas dizer que não se pode confiar no coração. E ingenuidade acreditar que temos o controle de tudo, de nossos sentimentos, de nossas palavras... Não é fácil para eu ver o meu coração se contaminando com todo sentimento do mundo mais uma vez. E vê passivamente que nada, absolutamente nada, posso fazer para evitar o bombardeamento de sentimentos instigados por ti. Não há salvação dessa vez. Só espero que isso passe logo.

6 comentários:

Vanessa disse...

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso dizer-te que o grande afecto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses muito quieta
e deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar exótico da aurora.


Vinicius de Moraes

:)

Um beijinho grande * E sim - é um lugar-comum - mas um dia passa... *

Divinius disse...

Cada instante é unico na procura do teu amor,um chamamento leve na tua boca clareia,procuro saber amar cada momento que um instante de vento deliciou na areia...

Sam disse...

Quantos sonhos perdidos na ilusão da vida, e isso vai nos desbotando aos pouquinhos, mesmo assim sempre surgem novas cores, cores de uma nova vida, por mais que relutemos as vezes por não aceitarmos a mudança de tom.

Vai passar minha amiga, vai passar

Bjos!!!

Vanessa disse...

aquela música também é das minhas preferidas. mas a preferida mesmo mesmo neste momento é a lilac wine do jeff buckley! eheheheh! lindaaaaa! :)

beijinho*

Lorena disse...

a gente não esquece um grande amor,
o maximo q acontece é nos acostumarmos com a falta q faz e aih não sentimos a dor dilacerante q nos causa o mesmo, é como se acabasse, mas não acaba; acho q adormesse, até q seja reacendido ou dxado num cantinho do [ou em todo] coração.
Sempre haverá, apesar de novos amores, aquele especial, q te fez chorar, rir, aquele grande amor q nunca será esquecido!

tenha um ótimo dia!
=*

Karlinne disse...

O pior Lorena, não são os antigos amores. Mas os novos que surgem repentinamente e nos deixam sem forças para seguir.

Só espero que passe mesmo.

:*