21 de dezembro de 2007

Sobre o que não é (mais)


As coisas, definitivamente, não são mais as mesmas. Eu não diria tédio. Tampouco ócio. Valores que mudam e mentes que se expandem, apenas isso. Com quem vivo, o que vivo e como vivo não são suficientes agora. Sabe quando tudo ao seu redor parece pequeno, minúsculo, ínfimo? Pois é assim. A velha calçada e os velhos amigos não mais me atraem. Tenho optado pela solidão e não acredito que isso seja um absurdo. Não. Vejo os carros passarem na rua, quase desfilando. Mecanicamente, deixo escapar alguns sorrisos. Sorrisos bobos. Alguns até desesperados, certamente. Eles conversam alegremente, como se estivessem a disputar quem extravasa mais ânimo. Antigamente, embriagava-me com isso. Queixo-me de um suposto sono e entro. A esta altura da noite todos dormem. Aproveito para ler com calma. Leio sobre Dostoievski. Aliás, devoro o livro desesperadamente como alguém que após dias de longa abstinência, encontra comida. E uma sensação efetivamente efêmera me domina.
Mais um dia. Internet. Ler. Comer. Dormir. Atividades preferidas por mim. Executadas com bastante êxito, por sinal. Mas hoje, meu bondoso irmãozinho cedeu-me o som. Assim, embalada pelo meu velho repertório musical (que não muda há meses, vale ressaltar), balanço-me na rede que fica em frente à janela. O calor é estonteante e com a janela aberta tenho o vento e a as estrelas. Incrível como o céu daqui é maravilhosamente lindo. Então, resta-me apenas divagar. Viajar e divagar. Penso em como Iguatu tornou-se pequeno para mim. Em como Fortaleza, o Ceará ficaram pequenos . Qualquer lugar parece assustadoramente pequeno e sombrio. Para onde ir? Desejo colocar uma mochila nas costas e sair por aí sem destino. Praga. Budapeste. Viena. Kiev.
O CD rodou umas 5 vezes e o sono vem de mansinho. A leitura do meu livro está quase no fim. Arrependo-me de não ter trazido mais livros ao invés de roupas. É estranho eu me sentir tão indiferente à vida que exala lá de fora e de meus amigos. Mas já dizia Renato Russo, vou ficar aqui com um bom livro ou com a TV. Woody Allen é uma ótima opção.

Foto de Diana (suicedemind)

2 comentários:

Bento Abreu disse...

Esqueceste de Covilhã/Braga nas cidades a visitar :S
Expandiste os teus horizontes :D

Bjo linda

Lorena disse...

Qndo a gente cresce, varias coisas perdem ou diminuem a importancia em nossa vida!
Se é interessante pra vc expandir os horizontes, q o faça.
Mas nunca esqueça as tuas raizes,
das pessoas q por mto tempo a fizeram rir,
q te acolheram num momento ruim...

Queria agora te dar um abraço e dizer:
Prima, eu te entendo, busque sua felicidade onde tu queira...

Não estou tão perto a ponto de poder te dar um abraço, mas estou o suficientemente pra ter vc em meus pensamentos e desejar só o felicidade e paz pra vc!

Não sei se algum dia já disse isso pra vc, mas, sinto-me lisonjeada de ter sido aceita por vc como amiga... fico feliz por vc ter entrado em minha vida e junto com Carol, e com isso ter me causado mais sorrisos todos os dias!

Amuh tu, como se realmente fossemos parentes!

beijão!