10 de abril de 2009

É sempre a mesma sensação:


a de que já vivemos tudo, já sentimos tudo, já entregamos tudo. Demoro a perceber se nos resta algo no qual possamos nos apoiar. Às vezes a queda se principia e nunca a senti tão perto. É essa presença contínua que me escapa por entre os dedos e sobre a qual já nada posso fazer que me tira o sossego. Teremos coisas bonitas para contar? Já não tenho forças - o cansaço me rouba qualquer possibilidade de futuro. Faz alguma diferença agora?

5 comentários:

diana disse...

Como entendo esse cansaço... como entendo!! Uma falta de forças tão grande...

Vanessa disse...

(...)

para sobreviver à noite decidimos perder a memória. cobríamo-nos com musgo seco e amanhecíamos num casulo de frio, perdidos no tempo. mas, antes que a memória fosse apenas uma ligeira sensação de dor, registámos inquietantes vozes, caminhámos invisíveis na repetição enigmática das máscaras, dos rostos, dos gestos desfazendo-se em cinza. escutámos o que há de inaudível em nossos corpos.
era quase manhã no fim deste cansaço. despertava em nós o vago e trémulo desejo de escrever.

(...)

Al Berto, in À procura do vento num jardim d'Agosto


e eu só posso dizer: não, não vivemos tudo. não sentimos tudo. e nunca entregamos tudo...

beijinho com saudades*

Rilke disse...

Nessas horas de coragem eu tenho força pra confessar que eu queria uma fórmula pra fazer a gente voltar pra quando a gente era do S1.

Katynha disse...

Um selinho para ti no meu blog :)

A. Ratts disse...

Seu Jorge às vezes dá umas dentro, bem dentro mesmo.
Sentimentos compartilhados.