11 de julho de 2008

Agora já é tarde.

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Marta Laura

Parece-me que o tempo não encontrou a sua própria dimensão. Aproprio-me das palavras de Duras para que haja um pouco de sentido em tudo o que sinto. Da maneira que te amava há 6 anos, amo-te extamente agora. Invado o teu abismo de silêncio, porque ainda não me assusto com as eventualidades do que carrego sempre comigo. Das cartas e declarações já feitas, o que resta é apenas a minha juventude perdida a esperar por algo que sei que nunca te tornarás. E aos 21 anos, já envelheci o suficiente para afastar a tua lembrança que me embala aos poucos. Não quero ser tua prisioneira para sempre.

11 comentários:

Jude disse...

eu não sei o que dizer agora - qualquer palavra parecer fugir do contexto. situações inexplicáveis, sentimentos estranhos. esperar? fica a dica.

Bento Abreu disse...

Nunca é tarde.... o tempo pode parecer escasso e talvez o seja...mas à sempre tempo para crescer e para aprender o verdadeiro valor do tempo...

Beijo,


P.S. - Exigo uma visita e um comentário no meu blog ;)

Uma Lora qualquer disse...

'e ninguem dirá q é tarde demais...'

Por entre o luar disse...

Receio estar a passar pelo mesmo.. e que o amor que sinto tambem se va arrastando assim pelo tempo fora.. sinto que não vou esquecer:S

Desculpa o desabafo, mas revi-me nas entrelinhas:S e gostei do que li**

Beijinhos* sorriso*

L. M. disse...

Acho que envelhecemos porque somos eternos e precisamos de histórias pra contar...

L. M. disse...

Talvez envelhecemos porque somos eternos e precisamos de histórias pra contar...

diana disse...

Sim, muitas vezes o tempo surge na nossa vida como um trocadilho, transformando em cedo aquilo que julgamos já ser tarde e mostrando-nos, num estalar de dedos, que já é tarde aquilo que julgavamos cedo. O tempo está sempre a fazer das suas.

Mas temos que saber lidar com o tempo, talvez aprender a acompanhá-lo.

Post lindíssimo.

Jonas disse...

Também já perdi muito tempo com outra pessoa. Às vezes acho que também sofro de velhice precoce aos 21 anos. ;) Mas afinal, Quintana dizia que idades só há duas: ou se está vivo ou morto.

Herzog também escreveu que "o verdadeiro mal da velhice não é o enfraquecimento do corpo, mas a indiferença da alma". Pois é. O único medo que temos da palavra "tempo" (em qualquer dimensão, espiritual, física, o que valha), é o de nos tornarmos indiferentes. Você tem uma alma muitíssimo bonita. Vê-se pelo que está escrito neste blog: você não é velha, sua alma não é "indiferente". Belo post.

lucena disse...

Teu blog ta cada dia mais bonito :*
Saudade de tu.

Vanessa disse...

este livro... o tanto que nos diz em tão poucas páginas... *

Vanessa disse...

Olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceite o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos.

Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer a sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar a nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gaffe.

Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingénuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer «pelo menos não fui tolo» e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.


Clarice Lispector, in Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres

(...)

lembrei-me da clarice ao ler-te. foi inevitável. e quis trazer para aqui este querer: enxotar-te o medo e mostrar-te uma candura que não é - de todo - fraqueza.

[ és assim, tu: um sorriso de braços abertos. e não deixes que o silêncio e as cicatrizes to roubem. aprende a torná-lo ainda mais vincado e sincero de cada vez que o sentido da vida te fugir entre os dedos. prometes? :) ]

um beijinho grande*