7 de junho de 2008

Olha a voz que me resta *


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Adell

Que o meu desalento já não tem mais fim, é fato. Tampouco consolo. Não conheço os passos dessa estrada que sempre me conduz ao desespero. Sei bem que aqui sozinha, eu ficarei tanto pior, sempre pior. Consigo suportar muito sem precisar me desfazer em lágrimas, o que em algumas circunstâncias é muito válido. Até porque todas as lágrimas do mundo não serviriam de consolo - só me embalariam em um sono que não chega para esquecer tanto sofrimento. Querer esquecer não é suficiente para negar os acontecimentos. Não é suficiente para acreditar em horas melhores, em dias melhores, em coisas melhores. Ver a beleza - e a leveza - das coisas com humor é cansativo porque procurar me deixa exausta e com náuseas. Estou cansada. Pedir para ser encontrada é demais. Aliás, pedir qualquer coisa parece um absurdo. Receber qualquer coisa, acreditar em qualquer coisa, por mais pequena que seja, qualquer tudo parece um absurdo. E eu não sei mais o que fazer de mim. Não sei o que fazer de mim com a voz fraca e rouca que me resta. Não sei o que fazer com o pouco de tudo que eu tenho. Não sei o que fazer com esses todos estúpidos e tolos sentimentos do mundo que só magoam. Não quero mais acreditar em coisas belas. 

Eu já deveria ter me curado da minha ridícula obsessão pelo o amor.

6 comentários:

Lila disse...

sabe o que eu acho absurdo? pessoas que se mostram completamente dispostas a ocupar espaços na nossa vida ou, o que é pior, dignas de sentimentos incomensuravelmente radiantes para depois - e quando menos se espera - destruírem qualquer esboço de contentamento. é uma audácia exigir tanto do outro (sugá-lo e enfraquecê-lo) com esse único objetivo miserável: destruir relações. sim, pessoas que se mascaram por trás de inconstâncias sem sentido e invetam loucuras alheias só podem visar a isso: devastação, ruína. e é tentador se entregar ao sofrimento que elas deixam, mas não válido o suficiente. a pior resposta (a elas) para tudo isso é, simplesmente, não sentir nada ou, ao menos, aparentar apatia. força na peruca, solzinho. a sua luz tem mais autoridade que esses rebeldes sem causa cheios de escuridão.

/nathy_isis disse...

não, nem todas as pessoas são iguais, estúpidas e insensíveis. VOCÊ não é igual, estúpida e insensível. e é forte, mais do que imagina.

seu sorriso irradia, mesmo que esconda uma dor ou um grito na alma. aliás, que alma linda você tem.

Vanessa disse...

Às vezes paro à porta
com o olhar perdido e habituado ao silêncio,
há mais desertos ainda, dias
e morte noutros olhos.
Com a garganta habituada à sede,
com os pés às feridas,
saio para a rua
e já não há umbrais.

Ando um dia, passo outro,
acabo uma semana de vidros partidos
e tosse mais velha.
Hoje parece que sempre
choveu sobre mim,
e não me importa
se a chuva já não se parece ao esquecimento
e apenas deixa charcos, paredes mais sujas
e fuligem e tristeza nos olhos de rímel,
ainda tenho sede
e não me importa
voltar às coisas más e aos velhos tugúrios
à procura de algo que não encontro nem recordo,
que costuma principiar por um encontro,
talvez por outra palavra
e corre o perigo de crispar-se
até à forma da folha da faca.


Às vezes tudo é tão estranho
que não basta continuar a andar.


Alfonso Barrocal



ao ler-te lembrei-me deste poema. podia dizer tanta e tanta coisa, afinal de contas, a sintonia parece atravessar-nos às duas sem que a gente se dê conta, né? mas apetece-me dizer que acreditar em coisas belas é o que nos salva nesses dias. e que acreditar nas pessoas é a prova bastante de que ainda estamos vivas. deixa que alguém te encontre nesse cansaço e não lhe negues a mão... eu realmente podia dizer muita coisa, mas deixo um abraço apertado. e a vontade de estar mais perto para to entregar. espero que estejas bem. mesmo. *

saudades... :)

(e que post tão bonito. e as fotos. e a música da cat power. enfim... desfaço-me em suspiros aqui.)

ludymylla disse...

Queria te entender mais.

Sam disse...

Suas palavras mais uma vez dizem tudo o que estou sentindo. Lamento não poder te dar um abraço bem apertado pessoalmente, mas sinta-se sim, abraçada, e o calor do meu carinho por ti.
Talvez hoje as palavras não saiam da forma como gostaria de lhe transmitir, mas quero acreditar que é só uma fase passageira.

Grande beijo!!! (sumida)(desnaturada rs)

Lucubrina disse...

Excelente fotografia, como todas as que estão nesta sua página.
Quanto ao "ridícula" apetece-me transcrever parte do poeta Fernando Pessoa, com o heterónimo Álvaro de Campos

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Mesmo sendo ridículo/a todos gostam de viver e o saborear - o amor.
Por isso não é obsessão. É a verdade de um sentimento.