24 de janeiro de 2008

Guarde um sonho bom






Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo doeu-me onde antes os teus dedos foram aves de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.
No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração que era o resto da vida - como um peixe respira na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida
foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos, mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.


Maria do Rosário Pedreira


Foto de Graça Loureiro

2 comentários:

Lorena disse...

Ah Linne...
tuas palavras sempre parecem decifrar aquilo q no momento sinto.
Faça como eu, levante, sacuda a poeira e não olhe pra tras...
Não posso dizer q é facil, mas há momentos q temos admitir q perdemos. E acredito q não há quem goste de perder a batalha quiçá a guerra.
Pois não me sinto totalmente inutil, posso dizer ao menos q lutei, lutei com todas as minhas armas, lutei por akilo q acreditava, tentei tornar real...
Mas tem hora q temos q desistir, jogar a toalha e com lagrimas nos olhos dizer: eu desisto!
Tão perto de concretizar...
Tão longe de ser o ideal...
Enxugo minhas lagrimas e fico com a saudade do q não aconteceu, minha companheira de sempre...

bjux prima, fica em paz!

Sam disse...

Estava de passagem quando me tomaste de assalto.
Seria Los Hermanos? ou seria a dor que transborda através das palavras?
Sonhos... não os acorde.